Meu filho não vai bem na escola, e agora??

queixa escolar          Essa queixa pode ser frequente entre mães e pais e diz respeito não só ao aspecto cognitivo, mas também ao aspecto comportamental. Pais e mães não se preocupam só com a nota de seus filhos, mas também com seu comportamento em geral. Muitas vezes, quando a criança se distrai seu rendimento pode cair. É aí que os pais se questionam se o filho pode ter hiperatividade ou déficit de atenção ou qualquer outra dificuldade que possa ser medicada para ser resolvida.

Porém, antes de partirmos para isso, devemos verificar: estou participando da vida escolar de meu filho? Eu vou à escola, acompanho sua evolução? Sei que hoje o tempo é cada vez mais precioso, mas como pais, precisamos saber onde entra nosso papel na educação dos filhos.

À família cabe valorizar a escola, a aprendizagem, o estudo e acompanhar a vida escolar do filho. Para isso, é preciso que saibam muito bem os objetivos do que está sendo ensinado, como e para que, pois, se os familiares não têm a experiência escolar suficiente não vão poder orientar seus filhos para o que tem que ser feito.

Você conhece bem a escola que seu filho está e seus objetivos? Eles estão de acordo com o que você acredita que é bom para seu filho? Somente com uma parceria bem definida é que se pode ter sucesso em uma boa educação.

Mas e ai? Qual o papel da escola nessa parceria?

O que se espera é que a escola desenvolva uma atitude de acolhimento e valorização da família, tratando-a como parceira na educação das crianças e orientando-a para criar ambiente favorável ao estudo.

Depois disso, devemos verificar outro aspecto. Se a criança não vai bem na escola, ela pode estar indicando que está com dificuldade em alguma outra área. A dificuldade escolar que alguns alunos apresentam pode estar relacionada aos diferentes momentos familiares. Como nascimento ou morte de um membro, desentendimento do casal ou qualquer mudança que não ficou bem resolvida para a criança.

A criança dá pistas de que algo não está bem nas suas relações e de seus familiares. Sendo assim, o aluno não é mais visto como um sujeito dotado de problemas, separado da sala de aula e da família, ele faz parte de um conjunto de acontecimentos.

No meio disso tudo, a terapia de família ajuda a entender o que está acontecendo e o que pode ser feito para ajudar a criança e sua família.

Quando a família e a escola mantêm boas relações, as condições para um melhor aprendizado e desenvolvimento da criança podem ser maximizadas. Por isso, antes de medicar seu filho, tenha certeza de um bom diagnóstico, provindo de um profissional especializado.

Desculpas ou obstáculos?

obstaculo                  Quando se tem a oportunidade de parar sua vida e recomeçar do zero, começamos também a pensar nas nossas escolhas e o que realmente queremos. No dia a dia geralmente não notamos o quanto usamos algumas desculpas, ou até notamos, mas usamo-las mesmo assim, porque, no nosso íntimo, sabemos que não queremos lidar com certas situações e sentimentos. Também podemos parar pensar nisso sem parar a vida.

É aí que vemos que aquele velho “eu não tenho tempo” ou “eu não tenho dinheiro” ou qualquer outro semelhante, transforma-se em um real “por que eu não consigo fazer isso?”. Ás vezes acreditamos muito que queremos algo, mas não o fazemos pela correria dos dias de trabalho e a falta de energia nos dias de folga.

Será que realmente queremos esse algo? Ou gostamos de dizer que temos grandes sonhos, mas algo externo nos impossibilita de realiza-los? Ou mesmo não queremos lidar com comportamentos moralmente não aceitos, como a preguiça ou mesmo o comodismo? Pequenos “defeitos” que não queremos encarar nem expor aos olhos dos outros, afinal, ninguém quer perder a admiração de quem está por perto.

Infelizmente eu não tenho essas respostas, mas com certeza trabalhar o autoconhecimento nos ajuda a entender se realmente queremos algo e estamos nos escondendo atrás de desculpas ou se não o queremos de fato, mas acreditamos que temos o dever de dizer que queremos. E se realmente queremos, como nos organizar, em meio à correria, para realizar nossas vontades?

A psicoterapia pode nos ajudar a encontrar certos caminhos, como cada um pode se planejar e deixar de adiar seus planos ou mesmo a criar novos planos, ou ainda, a aceitar-se como “preguiçoso” e feliz com a vida que se leva. Aprender a se organizar, planejar e elaborar estratégias também fazem parte do processo psicoterapêutico, pois também é resolver um conflito. Conflito que te impede de seguir em frente e você não está se dando conta disso.

Definitivamente não há uma resposta pronta, apenas no processo de se conhecer é que essas respostas podem ser encontradas. E muitas vezes, não são a demanda imediata, leva-se certo tempo para deixar a ansiedade das primeiras dúvidas e chegar a questões como essas.

Terapia de Casal

terapia casal Quem pensa em se casar definitivamente não costuma pensar em fazer uma terapia de casal. Porém, a terapia não é só para quem reconhece que está tendo uma dificuldade conjugal. Deixar para resolver tudo no limite é comum entre nós, mas a terapia não precisa ser o último recurso, aliás, quando é, pode acabar sendo uma ajuda  para o casal  se separar sem maiores brigas.

Você já deve ter parado para pensar que não é só de amor que um casamento/relacionamento se mantém. Precisamos partilhar algo, ter tempo juntos, admirar e respeitar ao outro são fundamentais. Talvez não nos damos conta do que acompanha uma relação, já que acreditamos no amor,  por isso, os convido a pensar um pouquinho a respeito.

O casamento é uma instituição social que teve seu significado transformado ao longo dos séculos. Conforme as mudanças econômicas, culturais, sociais e do momento histórico, os valores e ideais que os cônjuges e suas famílias têm a respeito do casamento também se modificaram. Fica fácil perceber essa diferença se pensarmos como era o casamento de nossos avós e o que pensamos sobre a união conjugal hoje.

Diferente das outras relações, os cônjuges decidem viver juntos, apoiando-se reciprocamente, na saúde e na doença, no bem e no mal. Para isso, cada qual deve se modificar internamente e se reorganizar. Os parceiros se comprometem em uma história comum, em que cada um é afetado pelas ações do outro. As decisões que irão determinar o futuro devem ser tomadas pelos dois.

Mas, nem sempre tudo sai como gostaríamos, às vezes, essas negociações não saem bem.

Em pesquisa realizada em 2011 com terapeutas de casais, compilamos  algumas das dificuldades mais comuns encontradas entre os casais, independente do tempo de relacionamento, dentre elas:

- diferenças em lidar com o dinheiro;

- falta de momentos de lazer;

- interferências das famílias de origem (pais e sogros);

- diferenças de expectativas;

- comunicação falha (existem várias formas da comunicação estar falha).

Será que você e seu/sua companheiro(a) podem estar com alguma dessas dificuldades e achar que com o casamento elas podem melhorar? Será que não é hora de pedir uma ajudinha?

O melhor caminho diante de algum desentendimento é aprender a ouvir o que o outro diz e se expressar de maneira que o outro entenda. Pois isso ajuda na resolução desses e de outros conflitos que surgem tanto das diferenças individuais, quanto dos problemas rotineiros.

Uma solução mais específica pode ser encontrada na terapia de casal com um profissional especializado.

O que é a “Hora da terapia”?

Hora da Terapia

É um site destinado à toda  população, com a ideia de divulgar meu trabalho como psicoterapeuta, fazer a psicologia ser mais conhecida e fazer conhecer seus benefícios, propondo um atendimento de qualidade ao alcance de todos.

Sinta-se à vontade para ler,  conhecer e entrar em contato! Qualquer dúvida ou esclarecimento, mande um email,telefone, ou deixe seu recado.

 

Fernanda G. Fantinato – Psicóloga

Serviços

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  • Atendimento individual de adulto, idoso, adolescente e criança
  • Terapia de família
  • Terapia de casal
  • Transtornos alimentares

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Direito à Felicidade

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Direito à Felicidade

Por Elaine Brum

 

Ao conviver com os bem mais jovens, com aqueles que se tornaram adultos há pouco e com aqueles que estão tateando para virar gente grande, percebo que estamos diante da geração mais preparada – e, ao mesmo tempo, da mais despreparada. Preparada do ponto de vista das habilidades, despreparada porque não sabe lidar com frustrações. Preparada porque é capaz de usar as ferramentas da tecnologia, despreparada porque despreza o esforço. Preparada porque conhece o mundo em viagens protegidas, despreparada porque desconhece a fragilidade da matéria da vida. E por tudo isso sofre, sofre muito, porque foi ensinada a acreditar que nasceu com o patrimônio da felicidade. E não foi ensinada a criar a partir da dor.

Há uma geração de classe média que estudou em bons colégios, é fluente em outras línguas, viajou para o exterior e teve acesso à cultura e à tecnologia. Uma geração que teve muito mais do que seus pais. Ao mesmo tempo, cresceu com a ilusão de que a vida é fácil. Ou que já nascem prontos – bastaria apenas que o mundo reconhecesse a sua genialidade.

Tenho me deparado com jovens que esperam ter no mercado de trabalho uma continuação de suas casas – onde o chefe seria um pai ou uma mãe complacente, que tudo concede. Foram ensinados a pensar que merecem, seja lá o que for que queiram. E quando isso não acontece – porque obviamente não acontece – sentem-se traídos, revoltam-se com a “injustiça” e boa parte se emburra e desiste.

Como esses estreantes na vida adulta foram crianças e adolescentes que ganharam tudo, sem ter de lutar por quase nada de relevante, desconhecem que a vida é construção – e para conquistar um espaço no mundo é preciso ralar muito. Com ética e honestidade – e não a cotoveladas ou aos gritos. Como seus pais não conseguiram dizer, é o mundo que anuncia a eles uma nova não lá muito animadora: viver é para os insistentes.

Por que boa parte dessa nova geração é assim? Penso que este é um questionamento importante para quem está educando uma criança ou um adolescente hoje. Nossa época tem sido marcada pela ilusão de que a felicidade é uma espécie de direito. E tenho testemunhado a angústia de muitos pais para garantir que os filhos sejam “felizes”. Pais que fazem malabarismos para dar tudo aos filhos e protegê-los de todos os perrengues – sem esperar nenhuma responsabilização nem reciprocidade.

É como se os filhos nascessem e imediatamente os pais já se tornassem devedores. Para estes, frustrar os filhos é sinônimo de fracasso pessoal. Mas é possível uma vida sem frustrações? Não é importante que os filhos compreendam como parte do processo educativo duas premissas básicas do viver, a frustração e o esforço? Ou a falta e a busca, duas faces de um mesmo movimento? Existe alguém que viva sem se confrontar dia após dia com os limites tanto de sua condição humana como de suas capacidades individuais?

Nossa classe média parece desprezar o esforço. Prefere a genialidade. O valor está no dom, naquilo que já nasce pronto. Dizer que “fulano é esforçado” é quase uma ofensa. Ter de dar duro para conquistar algo parece já vir assinalado com o carimbo de perdedor. Bacana é o cara que não estudou, passou a noite na balada e foi aprovado no vestibular de Medicina. Este atesta a excelência dos genes de seus pais. Esforçar-se é, no máximo, coisa para os filhos da classe C, que ainda precisam assegurar seu lugar no país.

Da mesma forma que supostamente seria possível construir um lugar sem esforço, existe a crença não menos fantasiosa de que é possível viver sem sofrer. De que as dores inerentes a toda vida são uma anomalia e, como percebo em muitos jovens, uma espécie de traição ao futuro que deveria estar garantido. Pais e filhos têm pagado caro pela crença de que a felicidade é um direito. E a frustração um fracasso. Talvez aí esteja uma pista para compreender a geração do “eu mereço”.

Basta andar por esse mundo para testemunhar o rosto de espanto e de mágoa de jovens ao descobrir que a vida não é como os pais tinham lhes prometido. Expressão que logo muda para o emburramento. E o pior é que sofrem terrivelmente. Porque possuem muitas habilidades e ferramentas, mas não têm o menor preparo para lidar com a dor e as decepções. Nem imaginam que viver é também ter de aceitar limitações – e que ninguém, por mais brilhante que seja, consegue tudo o que quer.

A questão, como poderia formular o filósofo Garrincha, é: “Estes pais e estes filhos combinaram com a vida que seria fácil”? É no passar dos dias que a conta não fecha e o projeto construído sobre fumaça desaparece deixando nenhum chão. Ninguém descobre que viver é complicado quando cresce ou deveria crescer – este momento é apenas quando a condição humana, frágil e falha, começa a se explicitar no confronto com os muros da realidade. Desde sempre sofremos. E mais vamos sofrer se não temos espaço nem mesmo para falar da tristeza e da confusão.

Me parece que é isso que tem acontecido em muitas famílias por aí: se a felicidade é um imperativo, o item principal do pacote completo que os pais supostamente teriam de garantir aos filhos para serem considerados bem sucedidos, como falar de dor, de medo e da sensação de se sentir desencaixado? Não há espaço para nada que seja da vida, que pertença aos espasmos de crescer duvidando de seu lugar no mundo, porque isso seria um reconhecimento da falência do projeto familiar construído sobre a ilusão da felicidade e da completude.

Quando o que não pode ser dito vira sintoma – já que ninguém está disposto a escutar, porque escutar significaria rever escolhas e reconhecer equívocos – o mais fácil é calar. E não por acaso se cala com medicamentos e cada vez mais cedo o desconforto de crianças que não se comportam segundo o manual. Assim, a família pode tocar o cotidiano sem que ninguém precise olhar de verdade para ninguém dentro de casa.

Se os filhos têm o direito de ser felizes simplesmente porque existem – e aos pais caberia garantir esse direito – que tipo de relação pais e filhos podem ter? Como seria possível estabelecer um vínculo genuíno se o sofrimento, o medo e as dúvidas estão previamente fora dele? Se a relação está construída sobre uma ilusão, só é possível fingir.
Aos filhos cabe fingir felicidade – e, como não conseguem, passam a exigir cada vez mais de tudo, especialmente coisas materiais, já que estas são as mais fáceis de alcançar – e aos pais cabe fingir ter a possibilidade de garantir a felicidade, o que sabem intimamente que é uma mentira porque a sentem na própria pele dia após dia. É pelos objetos de consumo que a novela familiar tem se desenrolado, onde os pais fazem de conta que dão o que ninguém pode dar, e os filhos simulam receber o que só eles podem buscar. E por isso logo é preciso criar uma nova demanda para manter o jogo funcionando.

O resultado disso é pais e filhos angustiados, que vão conviver uma vida inteira, mas se desconhecem. E, portanto, estão perdendo uma grande chance. Todos sofrem muito nesse teatro de desencontros anunciados. E mais sofrem porque precisam fingir que existe uma vida em que se pode tudo. E acreditar que se pode tudo é o atalho mais rápido para alcançar não a frustração que move, mas aquela que paralisa.
Quando converso com esses jovens no parapeito da vida adulta, com suas imensas possibilidades e riscos tão grandiosos quanto, percebo que precisam muito de realidade. Com tudo o que a realidade é. Sim, assumir a narrativa da própria vida é para quem tem coragem. Não é complicado porque você vai ter competidores com habilidades iguais ou superiores a sua, mas porque se tornar aquilo que se é, buscar a própria voz, é escolher um percurso pontilhado de desvios e sem nenhuma certeza de chegada. É viver com dúvidas e ter de responder pelas próprias escolhas. Mas é nesse movimento que a gente vira gente grande.

Seria muito bacana que os pais de hoje entendessem que tão importante quanto uma boa escola ou um curso de línguas ou um Ipad é dizer de vez em quando: “Te vira, meu filho. Você sempre poderá contar comigo, mas essa briga é tua”. Assim como sentar para jantar e falar da vida como ela é: “Olha, meu dia foi difícil” ou “Estou com dúvidas, estou com medo, estou confuso” ou “Não sei o que fazer, mas estou tentando descobrir”. Porque fingir que está tudo bem e que tudo pode significa dizer ao seu filho que você não confia nele nem o respeita, já que o trata como um imbecil, incapaz de compreender a matéria da existência. É tão ruim quanto ligar a TV em volume alto o suficiente para que nada que ameace o frágil equilíbrio doméstico possa ser dito.

Agora, se os pais mentiram que a felicidade é um direito e seu filho merece tudo simplesmente por existir, paciência. De nada vai adiantar choramingar ou emburrar ao descobrir que vai ter de conquistar seu espaço no mundo sem nenhuma garantia. O melhor a fazer é ter a coragem de escolher. Seja a escolha de lutar pelo seu desejo – ou para descobri-lo –, seja a de abrir mão dele. E não culpar ninguém porque eventualmente não deu certo, porque com certeza vai dar errado muitas vezes. Ou transferir para o outro a responsabilidade pela sua desistência.

Crescer é compreender que o fato de a vida ser falta não a torna menor. Sim, a vida é insuficiente. Mas é o que temos. E é melhor não perder tempo se sentindo injustiçado porque um dia ela acaba.

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ELIANE BRUM

Jornalista, escritora e documentarista. Ganhou mais de 40 prêmios nacionais e internacionais de reportagem. É autora de Coluna Prestes – O Avesso da Lenda (Artes e Ofícios), A Vida Que Ninguém Vê(Arquipélago Editorial, Prêmio Jabuti 2007) e O Olho da Rua(Globo).
E-mail: elianebrum@uol.com.br

Referencia: http://joaopedrororiz.com.br/site/artigo-de-eliane-brum-sobre-a-crenca-da-felicidade-que-vem-despreparando-a-atual-geracao-de-adultos/Artigo de Eliane Brum sobre a crença do “direito à felicidade” – que vem despreparando a atual geração de adultos.

Elogie do jeito certo

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Elogie do jeito certo
MarcosMeier

Recentemente um grupo de crianças pequenas passou por um teste muito interessante. Psicólogos propuseram uma tarefa de média dificuldade, mas que as crianças executariam sem grandes problemas. Todas conseguiram terminar a tarefa depois de certo tempo. Em seguida, foram divididas em dois grupos. O grupo A foi elogiado quanto à inteligência. “Uau, como você é inteligente!”, “Que esperta que você é!”, “Menino, que orgulho de ver o quanto você é genial!” e outros elogios à capacidade de cada criança. O grupo B foi elogiado quanto ao esforço. “Menina, gostei de ver o quanto você se dedicou na tarefa!”, “Menino, que legal ter visto seu esforço!”, “Uau, que persistência você mostrou. Tentou, tentou, até conseguir, muito bem!” e outros elogios relacionados ao trabalho realizado e não à criança em si. Depois dessa fase, uma nova tarefa de dificuldade equivalente à primeira foi proposta aos dois grupos de crianças. Elas não eram obrigadas a cumprir a tarefa, podiam escolher se queriam ou não, sem qualquer tipo de conseqüência. As respostas das crianças surpreenderam. A grande maioria das crianças do grupo A simplesmente recusou a segunda tarefa. As crianças não queriam nem tentar. Por outro lado, quase todas as crianças do grupo B aceitaram tentar. Não recusaram a nova tarefa.

A explicação é simples e nos ajuda a compreender como elogiar nossos filhos e nossos alunos. O ser humano foge de experiências que possam ser desagradáveis. As crianças “inteligentes” não querem o sentimento de frustração de não conseguir realizar uma tarefa, pois isso pode modificar a imagem que os adultos têm delas. “Se eu não conseguir, eles não vão mais dizer que sou inteligente”. As “esforçadas” não ficam com medo de tentar, pois mesmo que não consigam é o esforço que será elogiado. Nós sabemos de muitos casos de jovens considerados inteligentes não passarem no vestibular, enquanto aqueles jovens “médios” obterem a vitória. Os inteligentes confiaram demais em sua capacidade e deixaram de se preparar adequadamente. Os outros sabiam que se não tivessem um excelente preparo não seriam aprovados e, justamente por isso, estudaram mais, resolveram mais exercícios, leram e se aprofundaram melhor em cada uma das disciplinas.
No entanto, isso não é tudo. Além dos conteúdos escolares, nossos filhos precisam aprender valores, princípios e ética. Precisam respeitar as diferenças, lutar contra o preconceito, adquirir hábitos saudáveis e construir amizades sólidas. Não se consegue nada disso por meio de elogios frágeis, focados no ego de cada um. É preciso que sejam incentivados constantemente a agir assim. Isso se faz com elogios, feedbacks e incentivos ao comportamento esperado. Nossos filhos precisam ouvir frases como: “Que bom que você o ajudou, você tem um bom coração”, “parabéns meu filho por ter dito a verdade apesar de estar com medo… você é ético”, “filha, fiquei orgulhoso de você ter dado atenção àquela menina nova ao invés de tê-la excluído como algumas colegas fizeram… você é solidária”, “isso mesmo filho, deixar seu primo brincar com seu videogame foi muito legal, você é um bom amigo”. Elogios desse tipo estão fundamentados em ações reais e reforçam o comportamento da criança que tenderá a repeti-los. Isso não é “tática” paterna, é incentivo real. Por outro lado, elogiar superficialidades é uma tendência atual. “Que linda você é, amor”, “acho você muito esperto meu filho”, “Como você é charmoso”, “que cabelo lindo”, “seus olhos são tão bonitos”. Elogios como esses não estão baseados em fatos, nem em comportamentos, nem em atitudes. São apenas impressões e interpretações dos adultos. Em breve, crianças como essas estarão fazendo chantagens emocionais, birras, manhas e “charminhos”. Quando adultos, não terão desenvolvido resistência à frustração e a fragilidade emocional estará presente. Homens e mulheres de personalidade forte e saudável são como carvalhos que crescem nas encostas de montanhas. Os ventos não os derrubam, pois cresceram na presença deles. São frondosos, copas grandes, e o verde de suas folhas mostra vigor, pois se alimentaram da terra fértil.

Que nossos filhos recebam o vento e a terra adubada por nossa postura firme e carinhosa.

* Notícia veiculada na revista galileu, edição de janeiro de 2011. Marcos Meier é mestre em Educação, psicólogo, professor de Matemática especialista na teoria da Mediação da Aprendizagem em Jerusalém, Israel. Seus livros são encontrados na loja virtual www.kapok.com.br

Código de ética

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Código de Ética é um documento de texto com diversas diretrizes que orientam as pessoas quanto às suas posturas e atitudes ideais, moralmente aceitas ou toleradas pela sociedade com um todo, enquadrando os participantes a uma conduta politicamente correta e em linha com a boa imagem que a entidade ou a profissão quer ocupar, inclusive incentivando à voluntariedade e à humanização destas pessoas e que, em vista da criação de algumas atividades profissionais, é redigido, analisado e aprovado pela sua entidade de classe, organização ou governo competente, de acordo com as atribuições da atividade desempenhada, de forma que ela venha a se adequar aos interesses, lutas ou anseios da comunidade beneficiada pelos serviços que serão oferecidos pelo profissional sobre o qual o código tem efeito.

 

Conheça o código de ética de psicologia na íntegra:

http://site.cfp.org.br/wp-content/uploads/2012/07/codigo_etica.pdf